quinta-feira, 12 de abril de 2012

GARDÊNIA

Uma gardênia levantou-se em meu jardim
Imponente, plantada pela mão esquerda de Deus
Transparente, leito de milhões de raios de sol
Que vinham dementes, iluminar a alva pétala

Sinto que um mal tempo encontrou o seu fim
Nas exaustas nuvens negras que se arrastavam
E rodeavam meu horizonte bordado em cetim
Sem a devida coragem elas disfarçavam...

Uma matilha com brilhantes caninos
Fez crescer um medo de tempos de menino
O que acontece nas noites mais escuras?
De quanta fé é a palavra que afirma mas não jura?

Sei que há muita terra entre as águas salgadas
Como sei quase tudo sobre não sabermos nada
E bebo só da fonte da nascente que há em mim
E bebo sorridente, brancos dentes de marfim

E entre devaneios há os ventos que semeiam
Várias vidas na pata direita de um bem-te-vi
Certamente plantada pela mão esquerda de Deus
Que fita orgulhoso a tua gardênia que no chão sorri

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