FLORATTA IN BLUE
Sentado à pose de
Rodin e muito menos emblemático,
sou apenas um homem
com memórias, vastas.
No labirinto
incrustado dentro do baú
de lembranças
colecionadas ou não, há tantas.
Imagens de lábios,
rabiscos de olhos salpicados de azul,
outrora castanho, as
imagens são múltiplas e sem tamanho.
Campos e bangalôs,
ondas, areia branca,
cheiro de chá que é de
camomila
ou um livro que breve
se termina,
deliciosamente novo,
em folha.
Me lembro agora de
minha atenção
algumas vezes seqüestradas
pelas ‘damas da noite’,
aqui mesmo na
vizinhança, rápido crime que perdôo.
E muito prazeres mais
guardados nos compartimentos mentais,
auditivos,
olfativos... Um se sobressai ligeiramente,
me embriaga de outras
tão boas memórias.
O olfato me privilegiou
um dia e tenho a grata lembrança
do entorpecimento e
teu doce veneno me invadiu pelas narinas.
Confortavelmente
anestesiado, talvez,
ante a química da alva
pele recebendo a Floratta,
depois disso mais
nada.
É ver o mundo parar
por um instante
quando essa água das
flores na sua pele é sorvida,
inexplicavelmente
sedante.

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